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NA MÍDIA

Portal Red Salud: a plataforma chilena que usa IA para antecipar se uma pessoa idosa com câncer tolerará seu tratamento

Por Equipe Oncoger ·

Rodrigo Venegas, Gonzalo Navarrete e Claudio Barrientos, da equipe Oncoger
A equipe da Oncoger: Rodrigo Venegas, Gonzalo Navarrete e Claudio Barrientos. Imagem: Portal Red Salud.

O Portal Red Salud publicou uma reportagem sobre o PROTEGER, o ecossistema em nuvem desenvolvido pela Oncoger que prevê se uma pessoa idosa com câncer poderá tolerar um tratamento oncológico sistêmico. O artigo, assinado por Luis Francisco Sandoval (Agência S&M Comunicaciones), revisa a origem do projeto, a equipe que o desenvolve, como o modelo funciona e os resultados de sua validação clínica, e reúne a visão do Dr. Arnaldo Marín, diretor adjunto do programa PRECISION-Ai da CORFO, do qual o PROTEGER faz parte.

0,84

AUC na validação externa: capacidade de discriminação de 0 a 1

765 vs 275

dias de sobrevida média entre pacientes classificados como aptos e não aptos

2

etapas sucessivas por paciente: elegibilidade e dose da terapia sistêmica

A equipe por trás do PROTEGER

A reportagem apresenta a Oncoger como a empresa cofundada pelo Dr. Gonzalo Navarrete, pesquisador principal e diretor médico do projeto —o único especialista no Chile com formação em medicina interna, geriatria e oncologia, e professor assistente da Universidade do Chile—, e por Rodrigo Venegas, empresário com trajetória em saúde e tecnologia, que traz sua experiência liderando empreendimentos de saúde com foco em gestão, escalabilidade e sustentabilidade. Completam a equipe Claudio Barrientos, cientista e acadêmico especialista em inteligência artificial e responsável pelo desenvolvimento tecnológico do ecossistema, e o Dr. Gabriel Martínez, subdiretor do projeto, geriatra do Hospital Penco Lirquén e codiretor da estratégia de telegeriatria do Ministério da Saúde.

Um problema clínico em um sistema saturado

A nota parte do dilema que cada equipe responsável enfrenta: decidir se uma pessoa idosa com câncer deve iniciar quimioterapia ou outro tratamento sistêmico sem sobretratá-la nem deixá-la de fora de uma terapia que poderia beneficiá-la. Essa decisão exige avaliar fragilidade, funcionalidade e risco de toxicidade antes de definir o esquema e, diante da escassez de geriatras, hoje depende em boa medida do critério de cada equipe. O contexto é exigente: cerca de 70% das mortes por câncer no Chile ocorre em pessoas com mais de 65 anos e, em março de 2026, o Governo declarou um Alerta Sanitário Oncológico para responder a mais de 33 mil pacientes à espera de diagnóstico ou tratamento.

Temos uma população envelhecida, e a questão é se é viável dar um tratamento a esse idoso, se vale a pena, ou se estamos produzindo muita toxicidade nesse paciente. É aí que nasce o Proteger, com a ideia de fazer uma avaliação oncogeriátrica correta, assistida por inteligência artificial.

Dr. Arnaldo Marín · Departamento de Oncologia Básico-Clínica, Faculdade de Medicina da U. do Chile, e diretor adjunto do PRECISION-Ai

Como funciona

O PROTEGER combina o diagnóstico oncológico com variáveis geriátricas —fragilidade, funcionalidade, risco de toxicidade e autonomia, entre outras— e aplica um modelo de inteligência artificial do tipo ensemble, validado externamente. O processo ocorre em duas etapas sucessivas: a primeira determina se o paciente é elegível para tratamento sistêmico; a segunda ajusta a intensidade da dose conforme seu perfil de fragilidade. O resultado não é uma resposta binária, mas uma probabilidade de elegibilidade, e a plataforma identifica também quem poderia se beneficiar de uma preparação prévia. Como descreve o Dr. Marín, a ferramenta «analisa e discrimina qual paciente parece pouco apto para ir a um tratamento oncológico e em qual devemos pré-habilitar».

Evidência e próximos passos

Em sua validação externa, o PROTEGER alcançou um AUC de 0,84, e os pacientes que classificou como aptos registraram uma sobrevida média de 765 dias frente a 275 dias nos não aptos: uma diferença de quase 500 dias que, segundo Marín, confirma que «em um paciente metastático, decidir a primeira linha de tratamento é o que vai determinar sua sobrevida». Os resultados foram publicados em 2026 no Journal of Geriatric Oncology.

A plataforma está sendo integrada a fluxos de trabalho clínicos e é validada no Instituto Nacional do Câncer, no Hospital Dr. Franco Ravera Zunino de Rancagua, no Hospital Dr. Hernán Henríquez Aravena de Temuco, no Hospital da Força Aérea do Chile, no Hospital Clínico da Universidade do Chile, na Fundación Arturo López Pérez e no Hospital San Juan de Dios de Santiago, além do centro AUNA em Lima e, em breve, dos hospitais HCor e Israelita Albert Einstein de São Paulo. Dentro do PRECISION-Ai, o programa tecnológico da CORFO liderado pela Universidade do Desenvolvimento e pela Universidade do Chile, o objetivo é chegar a um nível de maturidade tecnológica TRL 9 em 36 meses, escalar a ferramenta em centros públicos e privados, integrá-la aos sistemas de registro clínico eletrônico e definir um modelo de sustentabilidade além do financiamento público.

Estamos dispostos a trabalhar com os serviços públicos, para que isso chegue às pessoas independentemente de onde estejam. Para nós é vital que isso se transfira aos serviços públicos, onde há muitas necessidades, com uma otimização do recurso humano como apoio à jornada do paciente.

Dr. Arnaldo Marín, sobre a vocação pública do projeto